Sobre o Programa Nacional de Combate 
ao Desperdício de Água - PNCDA

  O Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água é coordenado pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República e tem como objetivo principal promover a conservação e o uso racional da água para uso urbano.

   Você pode acessar o site e baixar todos os Documentos Técnico em http://www.pncda.gov.br 

Editor:
Engº Elton J.Mello

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Caracterização Funcional das Perdas e suas Causas
Diagnóstico dos Serviços de Águas e Esgotos
O Ar nos Sistemas de Distribuição de Água Potável

CARACTERIZAÇÃO FUNCIONAL DAS PERDAS
E SUAS CAUSAS
1

Este texto foi  extraído, parcialmente, do Documento Técnico de Apoio A2 do PROGRAMA NACIONAL DE COMBATE AO DESPERDÍCIO DE ÁGUA   - Indicadores de Perdas nos Sistemas de Abastecimento de Água,  Part.II  Textos Explicativos  -  do qual o Departamento Municipal de Água e Esgostos/DMAE  de Porto Alegre,  através da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento/ASSEMAE, foi uma das entidades participantes. 

O PNCDA  está disponibilizado, com todo o seu material, em sua própria página no site http://www.pncda.gov.br.

Em sistemas públicos de abastecimento, do ponto de vista operacional, as perdas de água são consideradas correspondentes aos volumes não contabilizados. Esses englobam tanto as perdas físicas, que representam a parcela não consumida, como as perdas não físicas, que correspondem à água consumida e não registrada.

As perdas físicas originam-se de vazamentos no sistema, envolvendo a captação, a adução de água, o tratamento, a reservação, a adução de água tratada e a distribuição, além de procedimentos operacionais como lavagem de filtros e descargas na rede, quando estes provocam consumos superiores ao estritamente necessário para operação.

As perdas não físicas originam-se de ligações clandestinas ou não cadastradas, hidrômetros parados ou que submedem, fraudes em hidrômetros e outras. São também conhecidas como perdas de faturamento, uma vez que seu principal indicador é a relação entre o volume disponibilizado e o volume faturado.

A redução das perdas físicas permite diminuir os custos de produção - mediante redução do consumo de energia, de produtos químicos e outros - e utilizar as instalações existentes para aumentar a oferta, sem expansão do sistema produtor.

A redução das perdas não físicas permite aumentar a receita tarifária, melhorando a eficiência dos serviços prestados e o desempenho financeiro do prestador de serviços. Contribui indiretamente para a ampliação da oferta efetiva, uma vez que induz à redução de desperdícios por força da aplicação da tarifa aos volumes efetivamente consumidos.

O combate a perdas ou desperdícios implica, portanto, redução do volume de água não contabilizada, exigindo a adoção de medidas que permitam reduzir as perdas físicas e não físicas, e mantê-las permanentemente em nível adequado, considerando a viabilidade técnico-econômica das ações de combate a perdas em relação ao processo operacional de todo o sistema.

O desenvolvimento de medidas de natureza preventiva de controle de perdas nas fases de projeto e construção do sistema envolve a necessidade de passos iniciais de organização anteriores à operação. Aquelas medidas devem contemplar, dentre outras:

  • a boa concepção do sistema de abastecimento de água, considerando os dispositivos de controle operacional do processo;

  • a qualidade adequada de instalações das tubulações, equipamentos e demais dispositivos utilizados;

  • a implantação dos mecanismos de controle operacional (medidores e outros);

  • a elaboração de cadastros; e

  • a execução de testes pré-operacionais de ajuste do sistema.


Avaliação das Perdas

A estimativa das perdas em um sistema de abastecimento se dá por meio da comparação entre o volume de água transferido de um ponto do sistema e o volume de água recebido em um ou mais pontos do sistema, situados na área de influência do ponto de transferência.

A identificação e separação das perdas físicas de água das não físicas é tecnicamente possível mediante pesquisa de campo, utilizando a metodologia da análise de histograma (registros contínuos) de consumo das vazões macromedidas. Nesse caso, a oferta noturna estabilizada durante a madrugada - abatendo-se os consumos noturnos contínuos por parte de determinados usuários do serviço (fábricas, hospitais e outros) - representa, em sua quase totalidade, a perda física no período pesquisado, decorrente de vazamentos na rede ou ramais prediais. A perda não física será a diferença entre a perda total de água na distribuição - Água Não Contabilizada - e a perda física levantada.

Em sistemas de abastecimento de água em que o índice de micromedição aproxime-se de 100%, as ligações clandestinas tenham pouca importância e exista eficaz programação permanente de adequação e manutenção preventiva de hidrômetros, combate às fraudes nos micromedidores e ramais clandestinos, as perdas mensuráveis tendem a refletir as perdas físicas de água.

Em relação às perdas físicas na rede distribuidora, nos ramais prediais registra-se a maior quantidade de ocorrência (vazamentos). Isso nem sempre significa, porém, que esta seja a maior perda em termos de volume. As maiores perdas físicas na distribuição, em volume, ocorrem por extravasamento de reservatórios ou em vazamentos nas adutoras de água tratada e nas tubulações da rede de distribuição.
 

Perdas Não Físicas

As perdas não físicas correspondem aos volumes não faturados, ou seja, a água que é consumida pelo usuário e não faturada pelo serviço.

O quadro 2.3 sintetiza os principais itens causadores de perdas de faturamento, indicando qualitativamente suas magnitudes em função das características do serviço.

                Quadro 2.3
                Perdas Não Físicas: Origem e Magnitude

  ORIGEM

MAGNITUDE

PERDAS

DE

FATURAMENTO

Ligações clandestinas/irregulares

Podem ser significativas, dependendo de: procedimentos cadastrais e de faturamento, manutenção preventiva, adequação de hidrômetros e monitoramento do sistema.

Ligações não hidrometradas
Hidrômetros parados
Hidrômetros que submedem
Ligações inativas reabertas
Erro de leitura
Número de economias errado

As perdas não físicas são normalmente expressivas e podem representar 50% ou mais do percentual de água não faturada, dependendo de aspectos técnicos como critérios de dimensionamento e manutenção preventiva de hidrômetros, e de procedimentos comerciais e de faturamento, que necessitam de um gerenciamento integrado.

A grande dificuldade para o controle e redução das perdas não físicas, assim como no caso das perdas físicas, reside exatamente na questão do gerenciamento integrado.

É freqüente encontrar serviços de saneamento que operam sob uma estrutura administrativa com alto grau de setorização, na qual os objetivos e orientações são próprios e acontecem de forma subjetiva e em função da experiência e percepção de cada gerente do setor. A integração, nesses casos, é deficiente, casuística, e em função de afinidades pessoais.

Como a redução de perdas requer ampla integração, definição clara de objetivos e grande participação de todo o serviço, muitos programas de controle não são bem-sucedidos ou têm os resultados positivos anulados em curto espaço, se as transformações forem de caráter temporário.

A título de ilustrar a distribuição de perdas em um sistema público de abastecimento, o quadro 2.4 a seguir apresenta os resultados dos estudos conduzidos pela SABESP para a Região Metropolitana de São Paulo.

Trata-se de um estudo de grande envergadura, na qual se procurou quantificar as perdas físicas e de faturamento em todo o sistema metropolitano, informações estas dificilmente quantificadas e disponíveis.

Verifica-se pelas estimativas dos valores encontrados que, em 1991, as perdas totais, que eram de 40% tinham origem nas perdas físicas, quantificadas em 51% do total, e nas perdas não físicas, quantificadas em 49% do total.

                    Quadro 2.4
                    Distribuição das perdas na RMSP (SABESP, 1993)

Tipo de perda

Hipótese de trabalho 
[m³/s]

Perdas [%]

Físicas

Não Físicas 

Totais

Vazamentos

8,9

47,6

-

47,6

Macromedição

1,0

-

5,3

5,3

Micromedição

3,8

-

20,3

20,3

Habitações sub-normais

1,8

3,4

6,3

9,7

Gestão comercial

3,2

-

17,1

17,1

Total

18,7

51,0

49

100,0

Ressalte-se, nesse estudo, a relevância das perdas de faturamento, indicando que melhorias na gestão comercial e de manutenção preventiva de hidrômetros poderiam reduzi-las sensivelmente.

Portanto, especial atenção deve ser dada, quanto às perdas de faturamento, ao cadastro de consumidores e sua permanente atualização, bem como à política de micromedição e manutenção preventiva de hidrômetros.

O grande desafio é a integração dos setores técnico, comercial (atendimento ao usuário) e de faturamento do serviço de saneamento, envolvendo:

  • o dimensionamento do hidrômetro e o acompanhamento de sua adequação aos consumos observados (geralmente não realizado);

  • a leitura e emissão de contas, associada a uma política de cortes de inadimplentes (nem sempre existente); e

  • a manutenção preventiva de hidrômetros, por intermédio de acompanhamento de sua performance no tempo, feito por análises de cosnumo, de idade e dos volumes totais medidos (freqüentemente não realizada).

 1 SILVA, Ricardo Toledo (coord.). Indicadores de perdas nos sistemas de abastecimento de água.  Ministério do Planejamento e Orçamento. Secretaria de Política Urbana. Brasília, 1998.

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